segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Tolice

João 7.37-41

Ninguém jamais falou ...como este homem fala” (Jo 7.46)


A viagem era curta, de Fortaleza a São Luis. Avião lotado. Um homem se aproximou sem nada a dizer, sentou-se do meu lado, afivelou o cinto de segurança, pegou uma revista e começou a ler atentamente. Nem mesmo quando a comissária iniciou as informações sobre o vôo ele desviou os olhos da revista. Apenas lia. A comissária fez toda a demonstração quanto aos procedimentos a seguir em caso de emergência, como colocar a máscara de oxigênio, como se agarrar à poltrona flutuante, etc. O homem continuava lendo sua revista, sem esboçar qualquer interesse.

Após a decolagem, tendo o avião alcançado a altitude desejada, o homem guardou a revista e começou a conversar. Comentou sobre economia, negócios, esportes, como quem está apenas jogando conversa fora. Então, resolvi perguntar-lhe: “Notei que o senhor não tirou os olhos de sua revista durante a decolagem. O senhor deve viajar muito e nem se importa mais com as decolagens e aterrissagens”. O homem mudou o semblante, fez uma pausa e respondeu: “Não, não é isso. O que mais me preocupa é exatamente o momento da decolagem e da aterrissagem. Tenho tanto medo que nem quero pensar no assunto. Prefiro folhear uma revista até que tudo termine. Assim não penso no perigo e o perigo não pensa em mim”.

Há quem prefira ignorar a realidade. Fingir que o perigo não existe nada resolve, nem pode mantê-lo à distância. Todos nós estamos sujeitos a qualquer coisa, a qualquer hora. É como quem foge dos consultórios médicos porque teme ouvir que está doente.

Como o apóstolo Paulo, Jesus deu um aviso importante quando disse que não faz nenhum sentido uma pessoa conquistar o mundo todo e perder a sua alma. Deixou claro que deveríamos investir em bens eternos e não passageiros, pois um dia certamente morreremos. Quanto a esse aviso, será que alguém prestou atenção?

Tolice é passar a vida fingindo que vale a pena fingir.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Primeiro eu!

Lucas 18.9-14

Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado... (Sl 51.17)

 
Você se preocupa com seu próximo? Geralmente gostamos de fazer isso: comparamo-nos com os melhores. Se você leu o texto de Lucas 18.9-14, perceberá que a mesma conta um caso assim – e não parece coisa boa. Mas quando alguém só pensa em si, isso é egoísmo, que também não é bom. Como ficamos então?
E se eu dissesse que existe algo como um “egoísmo bom ou saudável”? ai a confusão ficou completa, certo? Vejamos então um exemplo do que quero dizer?
Quem inicia uma viagem de avião recebe algumas instruções. Uma trata do uso das mascaras de oxigênio “em caso de despressurização”. Pede-se atenção especial de quem viaja com crianças: ”ponha primeiro a sua mascara e depois ajude a criança”. Não parece um egoísmo feio? Mas é que para ajudar outro, é preciso estar em forma. Alguém tonto por falta de ar que tentar ajudar a criança porá ambos em perigo.
Lá estava então o fariseu, lembrando a Deus tudo de bom que fazia. Ele pensava nos outros- inclusive “neste publicano”, um corrupto cobrador de impostos. Agora observe “este publicano”: falou com Deus somente de si mesmo. Nem quis ver se havia mais alguém por la. E Jesus aprova o publicano que só pensou em si e reprova o fariseu, que também pensou nos outros. Ocorre que ambos estavam com falta de fôlego espiritual. Só que o publicano notou o perigo, tratou de agarrar a “máscara de oxigênio” chamada “misericórdia de Deus” e salvou sua vida. O fariseu achou que não precisava dela e tentou vendê-la aos outros. Dirigindo-se a Deus, passou o recado aos que estavam em torno: “Viram só como sou bom? Façam como eu !” –e nessa ele sufocou seu espírito, que mantém o contato com Deus e faz a sua vida valar a pena. Quando o assunto é vida espiritual, não tente resolver o problemas dos outro a não ser que esteja respirando profundamente a graça de Deus para sua própria vida. Todos dependemos dela. Cada um por si.

A misericórdia de Deus é o fôlego da vida espiritual.

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Difícil

2 Samuel 24.1-17

Tu, Senhor, és Deus compassivo e misericordioso, muito paciente (Sl 86.15)

Há decisões que precisamos tomar e que nos tiram o sono. Incomodam! Analisamos as possibilidades e chegamos à conclusão de que todas as opções são ruins. A tendência é procurar a menos ruim e tentar resolver o problema.
Esse era o dilema de Davi. Como rei, precisava tomar uma dura decisão. O povo de Israel já havia insultado demais a Deus. Para complicar, Davi, cheio de orgulho, queria saber a quantas andava seu poderio militar. Então fez o recenseamento, contra o qual havia sido advertido. Não deveria fazê-lo. Depois de feito, Davi reconheceu que havia pecado e pede perdão a Deus. Resultado: o profeta Gade traz uma mensagem a Davi da parte de Deus. Davi deveria escolher que tipo de punição preferia receber: três anos de fome na terra, três meses fugindo dos inimigos ou três dias de praga na terra. Difícil, não?
O pecado que cometemos pode nos trazer consequências terríveis. Pior ainda, pode fazer sofrer a quem amamos ou com quem convivemos. Mesmo buscando o perdão de Deus, as marcas podem ficar em nossa vida. Como bem disse alguém: “Você pode arrancar um prego da parede, mas a marca será evidente”.
Davi não buscou a opção menos ruim, mas preferiu contar com a misericórdia do Senhor. Mesmo sofrendo as consequências, Davi sabia que Deus é misericordioso. Nós não temos outra opção a não ser contar com a misericórdia do Senhor. Jeremias diz que: “Graças ao grande amor do Senhor é que não somos consumidos, pois as misericórdias são inesgotáveis” (Lm 3.22). por causa de sua misericórdia, Deus interrompeu a matança do povo.
Seja qual for a situação, conte sempre com as misericórdias do Senhor. Clame por ela. A misericórdia divina é sua melhor opção.

Deus é justo, mas também é misericordioso.

domingo, 5 de setembro de 2010

Escolha

Gênesis 13.1-13

O temor do Senhor é o princípio do conhecimento (Pv 1.7).

Escolher é tomar decisão. É simples quando se trata de escolher um sabonete ou uma pasta de dentes. Mas, como decidir quando está em risco sua vida, o presente e o futuro, sua família, bens conquistados e os herdeiros que virão?
Por menos que se goste, estamos sempre decidindo entre uma coisa e outra. Às vezes, notamos que escolhemos mal. Outras, nem tanto. Tudo bem. Há ainda a turma do chute: arriscam para ver no que vai dar.
A fé em Cristo nos ajuda a tomar decisões, a fazer uma boa escolha. Nem sempre vamos ter uma forma simples e clara a vontade de Deus escancarada diante de nós.
Quando Abraão e Ló perceberam que a terra onde viviam era pequena demais para dois homens tão prósperos, resolveram separar-se. Foi sensato. O crescimento tem seu preço. Administrá-lo é complicado e desgastante e poderá pôr tudo a perder. Interessante que Ló era sobrinho de Abraão, tendo saído de Harã debaixo da tutela dele. Talvez tenha observado bem seu tio, e quando iniciou na vida dos negócios, deu-se bem. Prosperou, cresceu, a ponto de ter seu rebanho fazendo frente ao rebanho de Abraão. Chegaram ao Vale do Jordão e a beleza da terra encheu os olhos de Ló. Como empresário, sabia onde investir seu dinheiro. Escolheu o melhor e ficou com a terra. A escolha de Ló o levou à região onde estavam as cidades de Sodoma e Gomorra. O pecado proliferava, com toda espécie de orgias e perversões. Ló sofreu naquela terra e sua vida desde então nunca mais a mesma. Mais tarde perdeu seus bens e sua esposa.
Olhar somente para aquilo que nos agrada, que nos dá vantagem junto à concorrência, pode não ser a melhor opção. A vida não é apenas um grande negócio que pode ser desfeito, caso não nos convenha. A vida é um dom de Deus, e diante de Deus deve ser considerada. A ética cristã, os valores da Palavra, o temor ao Senhor são elementos fundamentais que precisam ser considerados antes de se fazer uma escolha.

A boa escolha é o resultado de conhecimento usado com sabedoria.

sábado, 28 de agosto de 2010

Espelho

Tiago 1.22-25

Agora vemos apenas um reflexo obscuro, como um espelho, mas então veremos face a face (1Co 13.12).

“Espelho, espelhinho, diga-me...”
Normalmente levantamo-nos cada manhã, vamos ao banheiro e, entre outras coisas, miramo-nos no espelho. Depois de lavados e penteados, este nos mostra uma diferença. Para melhor, lógico. Aquele rosto desalinhado, sonolento, mudou.
Existem espelhos de aumento, que permitem ver os poros da pele. Outros deformam o rosto e todo o nosso corpo. Mas há também em espelho bem diferente, chamado Bíblia! A leitura da Bíblia reflete não os aspectos externos, mas a vida interior. A Bíblia nos expõe, dizendo que Deus nos conhece – por dentro. Ela afirma que Deus conhece até os nossos pensamentos. Em Ezequiel 11.5 lemos: “Eu sei em que vocês estão pensando.” E o Salmo 139.2 afirma: ”...de longe percebes os meus pensamentos.” Já em Mateus 12.36, Jesus afirma: “No dia do juízo, os homens haverão de dar conta de toda palavra inútil que tiverem falado.”
Como espelho, a Bíblia também me revela o que Deus fez para me conduzir do erro para a verdade; da perdição para a salvação. Veja 1Pe 2.24: “ Ele mesmo [Cristo] levou em seu corpo os nossos pecados sobre o madeiro, a fim de que morrêssemos para os pecados e vivêssemos para a justiça; por suas feridas vocês foram curados”. Uma vez que você se enxergou no espelho da palavra de Deus, o que deve fazer? A Bíblia responde (At 3.19) “Arrependam-se e voltem-se para Deus, para que os seus pecados sejam cancelados”. Feito isso, Deus tem uma preciosa promessa em Jo 1.12: “ Aos que o receberam, aos que creram no seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus”. Então, espelho, o que você me diz agora?
Quanto a mim, digo cantando: “Salvo por Jesus Cristo, tenho perfeita paz; A comunhão co, ele toda a aflição desfaz. Ele me deu certeza da minha salvação, que de inefável gozo enche meu coração”. A Bíblia não apenas reflete o interior de nossa vida, mas a luz de Deus para guiar nossos passos.

A Palavra de Deus é um espelho que reflete esperança.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Transferindo sujeira

Isaias 64.1-9

O sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado (1Jo 1.7).

Li outro dia uma frase que me deixou intrigada. Dizia: ”Para que alguma coisa possa ficar limpa, sempre outra ficará suja.”
Percebi que, mais que uma piadinha, isto é uma espécie de “Principio Universal da Sujeira”. Veja: Se sujo minhas mãos, limpo-as em um pano, que por sua vez fica sujo... se lavo o pano, sujo a água... e se filtro a água, o filtro se suja... Que horror! No fundo, o mundo está repleto de sujeira e o máximo que conseguimos é transferi-la de lugar!
Isto me lembra aquela sujeira ainda pior de que fala o texto de hoje (Is.64.1-9): “impuros, justiça como um trapo imundo!”
O pecado tem fama de gostoso, mas a bíblia o trata como sujeira mesmo. E quando tentamos algo para nos limpar, como praticar uma suposta justiça (tentando compensar o pecado), só conseguimos nos esfregar com panos sujos. Parece que quanto mais queremos nos limpar com autojustiça, mais sujos ficamos! O pecado é uma tremenda doença, da qual não temos como nos livrar com nosso esforço!
Mais uma vez: o único meio de nos limpar é transferindo a sujeira.
“Deus tornou pecado por nós aquele que não tinha pecado, para que nele nos tornássemos justiça de Deus” (2Co 5.21).
Conheço esta história há tempo, mas ela continua a me impressionar. Deus é Santo, tem verdadeiro nojo do pecado; no entanto, seu amor por você e por mim é tão grande que se tornou pecado por nós para que pudéssemos ficar limpos. É o que diz o nosso versículo-chave (lá em cima).
Esta mensagem não é muito popular, mas é fundamental anunciar a boa noticia: apesar da sujeira do pecado nos afastar de Deus, Ele mesmo providenciou o meio para purificar e trazer de volta todo aquele que sinceramente se voltar a Ele.
Converse com Deus a respeito; dirija-se e Ele do seu jeito, com toda a sinceridade. Você não ficará sem resposta.

Só Jesus destrói o pecado. Passe-o para ele.

segunda-feira, 23 de agosto de 2010

Sal

Levítico 2.1-16



Aproximem-se de Deus, e ele se aproximará de vocês! Pecadores, limpem as mãos, e vocês, que têm a mente dividida, purifiquem o coração (Tg 4.8)



A história do sal se confunde com a história da humanidade. Ele foi inicialmente utilizado para preservar o alimento da podridão, a fim de que pudesse ser guardado por méis tempo. Assim seria possível estocar alimento para épocas de escassez. Por ser algo que preserva da corrupção, o sal simboliza a continuidade. Na época do Antigo Testamento, eram feitas “alianças de sal”, inclusive com o próprio Deus (2Cr 13.5), seladas em uma refeição com sal. O texto de Ezequiel 16.4 sugere que as crianças, ao nascer, eram esfregadas com sal para purificação.
Por ter este valor purificador, Levitico 2.13 repete três vezes que o sal não poderia ser esquecido na oferta de cereais. Ela somente seria aceita com este ingrediente. Isso era necessário porque a vida do ofertante estava ligada à oferta que ele trazia ao Senhor: se a vida estivesse purificada, a oferta seria de aroma agradável ao Senhor. O objetivo desse tipo de oferta era gratidão e também a aproximação de Deus. Isto seria possível somente com a purificação até mesmo da oferta, pois Deus é santo.
Hoje ainda é assim. Que tipo de vida você oferta a Deus? Ela esta purificada, tem um aroma agradável a ele, ou está cheirando mal por causa da corrupção, do pecado? Deus quer você perto dele, como amigo. Foi pra isso que você foi criado. É como diz uma canção: “Não existe nada melhor do que ser amigo de Deus; caminhar seguro na luz, desfrutar do seu amo, ter a paz no coração, viver sempre em comunhão e assim perceber a grandeza do poder de Jesus, meu bom pastor.” Viva exatamente assim!



Purifique sua vida para ser amigo de Deus.

Forte abraço, Reivy :)